Dentre as comunidades quilombolas do município, destaca-se Paramirim das Crioulas, sendo a única certificada pela Fundação Cultural Palmares , órgão brasileiro responsável por atestar a condição de remanescente de quilombo.
É relevante ressaltar que o processo de autorreconhecimento da comunidade ocorreu por meio de uma busca por identidade e resgate das memórias. Essa iniciativa foi impulsionada pelo ex-presidente da associação, Genuíno José da Trindade. Seu esforço e liderança foram fundamentais para que a comunidade pudesse oficialmente afirmar sua condição de quilombo, fortalecendo assim sua identidade e garantindo o reconhecimento de seus direitos. Nesse sentido, a certificação oficial pela Fundação Cultural Palmares tornou-se não apenas um ato administrativo, mas também um símbolo de resistência e preservação cultural para Paramirim das Crioulas.
A vida na comunidade é permeada por tradições e rituais que refletem a forte coesão social e o respeito mútuo entre seus habitantes. Na estrutura social da comunidade, observamos práticas que evidenciam os laços de solidariedade e responsabilidade compartilhada. Por exemplo, eventos como casamentos são celebrados com a participação ativa de toda a comunidade, que se mobiliza para garantir o sucesso da festa, demonstrando um forte senso de coletividade e preservação das tradições.
Paramirim das Crioulas possui uma rica e diversificada base de registros documentais e relatos orais que corroboram sua condição de comunidade quilombola. Entre esses documentos, destaca-se um achado significativo datado de 1887, encontrado na própria comunidade. Trata-se de um registro referente à relação do “escravo” Manuel, que pertencia a Severino de Souza Aranha, residente em Paramirim das Crioulas, município de Minas de Rio de Contas. Além desses registros formais, há também narrativas transmitidas oralmente ao longo das gerações, como a história marcante da escravizada Benta Lopes, que após o fim do regime escravocrata, herdou todo o território da “Beta” , tornando-se uma figura emblemática na memória coletiva da comunidade. Esses registros documentais e relatos orais representam valiosos testemunhos da história e da identidade quilombola de Paramirim das Crioulas, reforçando sua trajetória de resistência e ancestralidade.